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INTERCESSÃO: uma prática que pode trazer o avivamento pessoal

“Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” 

Jó 42.10

Orar pelos outros

Uma definição simples de intercessão é esta: orar pelos outros. No entanto, a intercessão vai além do que pedir a Deus algo em favor da vida de outro. De acordo com o Dicionário Oxford de Igreja Cristã, intercessão não é apenas orar em favor dos outros. Além de fazer parte das liturgias cristãs mais antigas, a intercessão também se caracteriza por fazer algo por alguém, na história do cristianismo.

Ou seja, quando alguém está fraco em sua fé, é assistido por outro que intercede em seu lugar, ou em seu favor, a Deus, orando por essa pessoa (ou seja, no lugar dela, como se fosse ela), lendo a Bíblia por essa pessoa, além de realizar outros atos de devoção em lugar de alguém em uma situação específica da vida da pessoa na qual ela se encontra impossibilitada de continuar a realizar atos de piedade e devoção. Obviamente, isso tudo tem como propósito o socorro de Deus sobre a vida dessa pessoa.

Não entendemos claramente como se dá esse “colocar-se no lugar de”. Só sabemos que devemos viver como um corpo, de modo que, quando um sofre, todos sofrem, quando um se alegra, todos se alegram. Assim, então, quando algum membro do corpo é impossibilitado de fazer algo em sua piedade, espera-se que outra pessoa no corpo faça em lugar daquela impossibilitada. É isso que o Espírito Santo faz por nós, quando intercede por nós “com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26b), em nós, como se fosse nós. “Porque não sabemos orar como convém”, o Espírito intercede em nosso lugar.

A despeito dessa visão que também é contemplada na história da igreja, a intercessão ficou mais conhecida como a prática de orarmos uns pelos outros.

Esquecer-se de si 

A intercessão não é algo natural do ser humano. O que nos é natural é o egoísmo. A intercessão mata o egoísmo. A intercessão fez com que Jó, doente como estava, intercedesse por seus amigos, texto que lemos mais acima. Na situação de Jó, é natural que não lembremos dos outros, afinal, temos problemas demais em nós mesmos.

No entanto, o que agradou ao Senhor e fez com que este restaurasse tudo o que Jó havia perdido, foi o fato dele ter se lembrado de seus amigos, e orado por eles, apesar dele mesmo, Jó, ter problemas demais para apresentar ao Senhor. Jó não se preocupou apenas com seus próprios problemas, mas trouxe diante de Deus os problemas dos outros também. E isso agradou demais a Deus. O texto bíblico diz que foi quando Jó passou a interceder que o Senhor o abençoou e deu fim a todo o seu sofrimento.

Pense comigo, não é normal intercedermos pelos outros quando temos problemas pessoais ou em nossas famílias, não é verdade? Mas é exatamente isso que Deus espera que façamos: que esqueçamos de nós, de nossos problemas, e passemos a nos lembrar dos outros também, a nos colocar na pele dos outros, nos sofrimentos dos outros, a sofrermos o sofrimento dos outros a não apenas o nosso.

O que nos parece é que, quando paramos de pensar em nós e passamos a interceder pelos outros, Deus passa a cuidar de nós e de nossos problemas de um modo que, antes, não acontecia. A paz que sentido é patente. E tudo começa quando apresentamos a Deus nossos pedidos e súplicas, mas também apresentamos aquilo que tem feito outros sofrerem.

Vamos ver como isso se desenvolve, brevemente, nas Escrituras.

O Espírito faz isso 

Romanos 8:26–27: Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.27E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Bem, esse texto já foi rapidamente comentado mais acima, quando expliquei algo sobre a intercessão. Quando estamos fracos e incapazes, seja por qual motivo for, o Espírito ora em nosso lugar. E é “segundo a vontade de Deus que ele intercede pelos santos”.

Veja que o Espírito intercede por você. Agora mesmo, se ele compreende que você não tem condições de orar sozinho por sua própria vida, ou seja, que você está fraco, distante, incapaz espiritualmente, ele intercederá em seu lugar a fim que você fique firme.

Quando estamos bem, é isso que devemos fazer pelos outros também. O Espírito faz em nós e por nós a fim de que estejamos bem a ponto de podermos fazer isso pelos outros também.

Jesus faria isso

Isaías 53:12: Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

O profeta Isaías prometeu que Jesus, quando viesse, faria isso por seu povo. Um detalhe interessante é que Jesus não faria isso apenas por aquelas pessoas já santas e redimidas, mas o faria por todas as pessoas, inclusive aquelas que estivessem em pecado. O profeta Isaías está nos dizendo que Jesus intercede inclusive por pecadores!

Creio que devemos seguir tal exemplo. Creio que também devemos orar por pessoas que estão distantes de Deus, que estão em pecado, sofrendo por causa de seus pecados e incapazes de clamar a Deus por restauração e perdão (devido ao distanciamento que essas pessoas possuem de Deus). O pecado as afasta de Deus, as impossibilita de clamarem por ajuda. Jesus intercede por elas.

Jesus continua fazendo isso

Hebreus 7:25: Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

O que vemos neste texto, é que Cristo não apenas fez isso no passado, mas continua a fazer pelas pessoas que se converteram a ele. A prática da intercessão é presente na vida de Jesus. Cristo continua intercedendo por seu povo, pela vida das pessoas que se achegam a Deus. Ou seja, essa não é uma prática passada, mas presente, que, agora mesmo, ele realiza por você em mim.

Cristo é um exemplo para todos nós dia auto-negação, de pessoa que se importam mais com os outros do que consigo mesmo. E isso não acontece por qualquer sentimento especial que ele nutra a nosso respeito, mas por uma decisão de lembrar-se de nós, e de colocar-nos co nstantemente diante do trono da graça de Deus. Olhando para o exemplo de Cristo, deveríamos viver por interceder uns pelos outros também. Deveríamos lembrar sempre uns dos outros em nossas orações, a exemplo de Cristo, suplicando o favor, a misericórdia, e a graça de Deus sobre nossos amigos e irmãos em Cristo e também sobre a vida daqueles que estão ainda no pecado.

Jesus ensinou a fazer isso

Mateus 5:44: Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

Aqui, temos não o exemplo daquilo que Cristo faria, nem daquilo que ele fez, mas uma ordem daquilo que todos devemos fazer. Sua ordem contempla até mesmo nossos inimigos. E isso é impressionante. Não era comum no contexto judaico esse tipo de afirmação. Os ensinos rabínicos que hoje são conhecidos pelos manuscritos de Qumran ensinam exatamente o oposto, que os judeus deveriam odiar seus inimigos e não amar, muito menos orar, por aqueles que os perseguissem.

Enfim, esse ensino de Jesus é totalmente diferente de tudo o que se vivia na época. E esse ensinamento chega até nós como uma forma de nos fazer compreender a maneira como devemos tratar as pessoas que nos fazem mal, que nos persegue, que nos caluniam, traem, ofendem, etc. Devemos interceder por todas elas. Como faríamos isso sem que nos esquecêssemos de nós mesmos?

Paulo recomenda os efésios a fazerem isso

Efésios 6:18–20: com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos19e também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho,20pelo qual sou embaixador em cadeias, para que, em Cristo, eu seja ousado para falar’ como me cumpre fazê-lo.

Por fim, temos esta recomendação do apóstolo Paulo aos efésios de que eles deveriam interceder uns pela vida dos outros também. Paulo recomenda que todos porém, supliquem, o tempo todo e não apenas em alguns cultos especiais. Eles deveriam vigiar com perseverança. E Paulo recomendar ao jovem Timóteo que transmitisse estas informações a todos os pastores sobre os quais ele ministraria. Estes pastores bem como suas igrejas deveriam manter o ensino da intercessão.

1 Timóteo 2:1–2: Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens,2em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito.

Paulo ensina Timóteo que ele deveria exortar a todos a fazerem isso. Paulo incluí aqui que a intercessão também deve ser feita em favor dos que nos governam. Paulo cita aqui os reis e todos os que se acham investidos de autoridade. A razão pela qual devemos interceder por todos eles, é para que tenhamos uma “vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito”.

Creio que a intercessão tem poder de nos trazer para mais perto daquilo que Deus espera que sejamos como seres humanos. Creio intercessão tem o poder de matar nosso egoísmo. Creio também que a intercessão tenho poder para despertar uma avivamento pessoal, e, quem sabe, um avivamento comunitário.

Conta-se a história de que o Conde Zinzendorf, um dos pais do avivamento morávio, líder de um grande movimento missionário, dava uma espécie de instrução espiritual a 9 meninas da idade de 10 a 13 anos. Essas aulas a essas crianças, segundo ele contou a sua esposa, não obtinham muita atenção da parte das meninas. Ele, porém, quis insistir com elas.

Ele se recorda que, em 16 de julho de 1727, Zinzendorf derramou seu coração em intercessão. Ele estava angustiado por essas meninas. Então, por 10 dias, de 17 a 27 de agosto de 1727, as intercessões dele foram respondidas e um grande derramamento do Espírito de Deus veio sobre aquelas garotas.

Com o tempo, mais e mais garotas e garotos, depois também adultos da comunidade de refugiados de Herrnhut vieram debaixo da influência do Espírito se juntar ela comunidade. Uma testemunha daqueles dias chegou a dizer que “não podia atribuir a causa daquele avivamento espiritual entre as crianças de Herrnhut a nada que não um maravilhoso derramar do Espírito de Deus”.⁠1

Assim, creio que podemos desfrutar hoje também de um despertamento espiritual, à medida em que nos esqueçamos de nós mesmos e passemos a nos lembrar mais dos outros em nossas orações diárias. A intercessão tem sim o poder de mudar muita coisa em nossas vidas. Precisamos redescobrir essa prática diária em nossas vidas.

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Tan, P. L. (1996). Encyclopedia of 7700 Illustrations: Signs of the Times (p. 1154). Garland, TX: Bible Communications, Inc.

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